O tema da família sempre ocupou um lugar central nas ciências sociais e continua até hoje a ser assunto de uma multiplicidade de estudos, a partir dos mais variados pontos de vista.
Quero aqui, me alinhando com a visão marxista da família, debater o papel da família na construção e consolidação do modelo capitalista de exploração.
O ideal de família é, em nossa sociedade atual, mais um dos conceitos criados e reproduzidos continuamente, que atendem a interesses específicos de manutenção do status quo, em que uma minoria detentora dos meios de produção oprime a uma maioria de despossuídos.
Esta família idealizada é tratada como o “núcleo” da sociedade, sobre a qual se estruturam as demais construções sociais.
Se considerarmos, que esta sociedade é modelada por uma concepção economicista e capitalista, a conclusão lógica é que o modelo de família existente, é o maior responsável pela construção real e ideológica desta sociedade sobre a qual falamos.
A despeito da família idealizada (aquela que aparece nos comerciais de margarina) habitar o imaginário de cada um de nós, na prática ela só se configura em sua plenitude nas famílias burguesas.
As condições reais de existência dos trabalhadores, dos miseráveis e da imensa maioria da população, em nada se aproximam das relações familiares burguesas, nas quais o conforto financeiro é sinônimo de família feliz.
De modo geral, para o trabalhador explorado, a família se estrutura sob a mais completa ausência da vida familiar.
No contexto econômico demarcado pela atual expressão do capitalismo, a família é cada vez mais onerada na medida em que se torna vulnerabilizada pelo desemprego, privatização de serviços e bens públicos e pela precarização das condições de trabalho.
O Estado, ditado pelas regras neoliberais, limita as condições de reprodução da vida social, impede a realização dos direitos sociais adquiridos em lutas históricas dos trabalhadores e dificulta o desenvolvimento da capacidade de se organizar do trabalhador.
Com os direitos sociais e trabalhistas ameaçados, a classe trabalhadora vem perdendo sua identidade, em especial pelas mudanças na organização da produção que envolve alterações na sua forma de viver. A família trabalhadora então se vê obrigada a reinventar formas de resistir às adversidades impostas em uma situação na qual a mera sobrevivência física já se mostra extremamente custosa.
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