quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ABORTO: MORALISMOS E HIPOCRISIAS

Pobre de nós brasileiros que mais uma vez somos instados a escolher o presidente do país baseados única e exclusivamente em critérios morais e subjetivos ao invés de podermos optar racionalmente por um projeto político em que pudéssemos criticar e analisar.
A ida para o segundo turno de dois candidatos sem conteúdo apresentável e comprometidos com o que se criou de pior na história política brasileira, acabou permitindo o surgimento de questões que chocam pelo absurdo dos temas e pela baixeza dos argumentos.

Entre dossiês, denúncias, vazamentos e outras sujeiras surgidas sobre algum candidato, um tema emergiu com força desproporcional ao real impacto que tem em nossa sociedade como um todo: o tema do aborto.
Sobrepondo-se a qualquer questão política, a posição do candidato em relação ao aborto assumiu importância tal que ambos, mesmo historicamente favoráveis à descriminalização do aborto, se curvaram à onda moralista que tomou conta do país e de joelhos (literalmente) juraram defender os valores morais da família e do Cristianismo.

Inicialmente gostaria de classificar de imbecil qualquer um que tenha dado importância ao tema em uma eleição de presidente, considerando que o assunto somente poderia de fato ser discutido no ãmbito do legislativo, já que se trata de matéria de lei e, o presidente não tem poderes para proibir ou permitir o aborto.
Contudo, a história política e social brasileira certamente explica como um povo tido como um dos mais liberais do mundo, carrega em si ao mesmo tempo, a chama do obscurantismo, do moralismo e da ignorância.

Não vou gastar meu tempo e o de meus leitores (existirá algum?) com os argumentos dos anti-aborto, até porque eles se resumem a um só: "A Vida é Sagrada".

Aliás, é muito importante esclarecer que não se trata de ser favorável ao aborto e sim à sua descriminalização, ou seja, não tratar a mulher que realiza um aborto como uma criminosa qualquer passível de prisão. Esta é a primeira distorção do debate promovida pelos moralistas de plantão.

Em geral, quem usa de argumentos religiosos para debater algum tema, peca justamente por não ter algumento algum além de sua crença inabalável da sacralidade daquilo que defende. Quando Deus é colocado no debate, não precisa de justificativa ou argumento.

Temas verdadeiramente importantes como saúde da mulher, liberdade de escolha e legalização de práticas que existem queiram os religiosos ou não, simplesmente não são discutidos porque o véu da fé tira o pouco de razão que estas pessoas tem.

Mas na verdade acho que o chamado "povo de Deus", nada mais são que massa de manobra, manipulados por padres e pastores corruptos, gananciosos e inescrupulosos que se prevelecem de sua ascendência sobre parcela significativa da população para os levar para onde seus interesses  particulares mandam.

Prova da incoerência do discurso pode ser testada facilmente. Pergunte a um anti-abortista se apóia a pena de morte. Pesquisa do Ibope mostra que 87% dos que são contra o aborto são favoráveis à pena de morte para bandidos. Mas a vida não era sagrada? Realmente não entendo.

Aliás entendo sim. Quando um argumento é construído em cima de mentiras, premissas falsas ou interesses  disfarçados, ele não se sustenta. Não se sustenta porque é baseado em um falsa moral, já que boa parte daqueles que posam de defensores da vida e dos valores cristãos, costumam na intimidade praticar atos que ao que me consta não estão previstos nos versículos da Bíblia.

Pessoalmente acho que há um valor maior que a própria vida - é a Liberdade. A vida sem liberdade não pode ser chamada de vida de verdade. E assim sendo, é a mulher que deve decidir sobre sua gravidez. Não se pode aceitar a interferência da igreja, do estado ou de você moralista que me lê agora (se você não for moralista, desconsidere) no corpo e na vida de uma mulher que você nem sabe quem é.

Em outras palavras, recolha-se á sua casa, vá para o Inferno, pro raio que te parta e não se meta na vida de quem não conhece. A não ser que você se disponha a criar a criança cujo nascimento você tanto defende.

A hipocrisia é a pior das mentiras e disso, a Igreja, os políticos e boa parte de nossa população entende muito bem.

Quanto ao tema principal, que é a eleição do futuro presidente... Se a mãe do Serra e a mãe da Dilma tivessem abortado, teríamos um problema a menos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Direito é a Conveniência do Mais Forte

O Direito, como força opressiva, é em geral observado e acatado, razão pela qual o número de litígios levados aos tribunais é infinitamente pequeno em razão da proporção de negócios que se fazem diariamente.

Juntemos a isso o incontestável fato de que o aparelho judiciário existe para funcionar a serviço da elite econômica, pois é ela quem pode pagar o preço da máquina judiciária. A imensa maioria da população não tem como pagar esse preço e a Justiça é para ela um objeto de luxo.

Não são os litígios que são poucos, poucos são os que podem pagar para sustentá-los em juízo. Litígios existem aos milhares, mas por uma injunção econômica a maioria dos prejudicados é obrigada a subordinar o seu interesse ao interesse alheio.

A construção idealizada da Justiça é a de antagonistas da mesma situação social, tendo as mesmas chances de usar dos serviços judiciários, o que nem de perto se aproxima da realidade. A Justiça não tem um conteúdo próprio, o seu conceito varia no tempo e no espaço, ela é e será sempre uma idéia a serviço de uma classe.

Como idéia, a Justiça será sempre uma esperança humana, será sempre um objetivo do homem, talvez o aspecto mais dignificante da existência. Mas a sua prática constante será sempre deficiente e falha, e para não ter maiores ilusões, o melhor é reconhecer o fato e conduzir-se por ele do que idealizar um mundo que não existe, procurando uma Justiça que não tem nenhuma condição de realizar-se de forma perfeita enquanto esperarmos demais dos homens e das instituições.

A complexa organização judiciária e policial, embora assim se pretenda, não é a depositária, nem a guardiã dos verdadeiros ideais de Justiça. A Justiça verdadeira para o homem comum é tão-somente a justiça social, pouco lhe importando a justiça jurídica propriamente dita. Ele não acredita nos tribunais e, via de regra, reconhece que o que é legal muitas vezes não é justo.

O fato é, que para a imensa maioria da população brasileira, as terminologias legais, hierarquias de leis, códigos e outros termos e procedimentos relacionados ao Direito são elementos tão distantes de sua realidade que pouco ou nada significam para suas rotinas diárias.

A despeito do ordenamento jurídico do país dizer respeito diretamente à vida de cada um de nós, a forma como a Justiça e as Leis foram tratadas ao longo de nossa história, confinaram o Direito em uma espécie de “clube” ao qual apenas os profissionais da área tem acesso, alijando e destinando à ignorância aqueles que, por opção ou pela falta dela, não seguiram a carreira de juiz ou advogado.

Este distanciamento entre o arcabouço legal de nossa sociedade e o cidadão comum é o grande responsável pela absoluta descrença que a Justiça e as Leis de modo geral enfrentam entre os brasileiros.

Junte-se a isto a impunidade de nossos políticos, os escândalos em sucessão que nunca são investigados a fundo e a total indiferença da imensa maioria de nossos governantes quanto às suas responsabilidades para com seus governados, a desmoralização do sistema jurídico se torna absoluta.

A sensação de que a Lei não se aplica aos ricos e poderosos aumenta a cada vez que vemos um ladrão de galinhas sentir a mão pesada a Justiça, enquanto os grandes larápios da nação continuam tranqüilamente a desfilarem por aí seu desprezo pela coisa pública.

Esperar que o exemplo venha “de cima” é um discurso paternalista daqueles que preferem aceitar a esparrela daqueles que não desejam que nada mude para que se mantenha o atual, baseado na exploração dos mais fracos e na manutenção da exclusão política, social e econômica da imensa maioria dos brasileiros.

Imaginar soluções meramente logísticas, programáticas ou modulares para a Justiça que temos é aceitar que o modelo e a forma são adequados e se casam com a idéia de Justiça que temos dentro de nós.

Gastar energia pensando formas de garantir o acesso à Justiça aos que a ela não alcançam, é admitir que o abismo social existente é resultado de sua pequena abrangência e que, uma vez aumentado o raio de ação dos tribunais, toda a injustiça social seria corrigida.

Prefiro acreditar que este modelo não serve para nós e como tal deve ser descartado. Não haverá Justiça enquanto ela for expressão da vontade e do interesse de uma minoria opressora e exploradora dos desfavorecidos.

Se acomodar ou se acovardar com a situação que vivemos, significa aderir ao modelo vigente e assumir a proposição de que algumas pessoas tem mais valor que outras cabendo ao Estado e seus representantes fazerem a escolha de quais direitos deverão ser respeitados e quais pessoas poderão ser submetidas à exclusão social, à violência e à discriminação.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sistema de Cotas, sou a favor Sim!

Um dos temas mais polêmicos dos dias atuais, é o sistema de cotas para negros e estudantes do ensino público nas vagas das Universidades Públicas.

Há fortes argumentos a favor e contra a medida e há pessoas de grande caráter e capacidade que defendem uma ou outra posição. 

Apesar de reconhecer que há gente decente que é contrária à adoção do sistema de cotas, a grande maioria dos detratores desta Ação Afirmativa, na verdade são aquele tipo de pessoa que, por interesse, comodidade ou covardia, querem que tudo fique como está.

Estas pessoas se escondem atrás de argumentos aparentemente bem fundamentados mas que, na verdade, apenas escondem a motivação real destas pessoas, que é a de continuarem se beneficiando da miséria alheia.

O principal, e o mais sórdido, argumento baseia-se na idéia de que ao se instituir as cotas, candidatos com notas superiores podem perder suas vagas para candidatos com notas inferiores.

Sórdido é esse argumento por induzir à conclusão de que mérito se traduz em resultados e por partir da falsa premissa de que todos os candidatos entram na disputa em igualdade de condições.

O critério meramente intelectual não é absoluto, tampouco afere com precisão o mérito do esforço individual. Aquele candidato que tem melhores condições materiais e psicológicas efetuará menor esforço para atingir resultado idêntico ao do inferiorizado socialmente.

A supremacia intelectual freqüentemente não é uma conquista, mas uma resultante de condições sócio-ambientais na qual o indivíduo tem pouca ou nenhuma influência.

Então não passa de hipocrisia barata, alegar que candidatos eliminados com notas maiores que os cotistas, tem mais mérito que estes últimos. Muitas vezes, esses privilegiados (falo dos não-cotistas) estavam em suas casas estudando enquanto milhares de estudantes negros, nordestinos, pobres e miseráveis buscavam uma forma de ajudar suas famílias a não sucumbirem ante a fome e a miséria.

Essas vozes que se levantam contra o sistema de cotas, vem em sua maioria daqueles que, sem a necessidade de trabalharem para viver, estudavam tranquilamente, enquanto negros, mulatos, mestiços e honrosas exceções de brancos serviam seus cafezinhos, engraxavam seus sapatos ou cozinhavam seu almoço.
Nossa nação tem uma dívida histórica com o povo negro. Foram os negros que foram sequestrados, escravizados e mortos, não foram os brancos.

Um mentalidade hipócrita e conservadora comum em nossa sociedade é a de aceitar a inclusão dos marginalizados desde que isto não venha a afetar o status e privilégios que possuam. Privilégios esses construídos em cima do sangue e do suor de milhões e milhões de escravos e trabalhadores.

Há, entre os críticos do sistema de cotas, aqueles que reconhecem a desigualdade social mas são contra ações afirmativas. Alegam estes que devem ser tomadas medidas de longo prazo, investimento na educação básica e blá blá blá.

Esta, me parece, uma crítica ainda mais covarde. Os defensores da adoção de medidas de longuíssimo prazo são, na verdade, tão contrários à idéia quanto os críticos de fato. Ocorre que para estes pseudo defensores da causa dos excluídos, a idéia é válida, mas somente se não afetar a eles e seus filhos.

Ao jogar o resultado para daqui a 30, 40 anos, esse tipo de crítico covarde ajuda a manter a exclusão, jogando a responsabilidade para gerações que sequer nasceram ainda.

Provavelmente é muito doloroso para um destes falidos da classe média, ver seu filho levar pau, enquanto um negro ocupa a vaga que em sua visão distorcida e racista deveria ser de seu filhinho playboy.

A pior postura que um cidadão pode ter é a de não definir de que "lado do muro" está. Se vc é contra alguma coisa, não fique tentando parecer politicamente correto. Assuma suas posições e tenha a diginidade de defendê-las sempre e sem medo de ser criticado.

Por fim, lembro a vcs críticos que o sistema de cotas é uma solução paliativa para criar condições de que, no futuro, com a desigualdade diminuída, não seja mais necessário se valer de tais medidas.

E lembro principalmente que, depois de tanto explorarmos os menos favorecidos, é justo que algum tipo de reparação lhes seja dada. Nada que ninguém faça será capaz de compensar a chaga da escravidão em nossa História, mas adotar medidas inclusivas soa como um significativo pedido de perdão.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Segredo dos Bons Professores não é o que a Globo e a Época dizem

Não sou profissional da área de Educação e então peço licença a essa categoria muito especial de trabalhadores - OS PROFESSORES - para opinar sobre duas matérias que tive a oportunidade de acompanhar nestes últimos dias.

A primeira destas matérias é a reportagem de capa da revista Época desta semana com o título de "O SEGREDO DOS BONS PROFESSORES". A outra matéria foi exibida hoje como reportagem especial do Jornal da Record, e nela foi mostrada a dificuldade de lidar com alunos oriundos de Favelas dominadas por grupos rivais de traficantes e que são obrigados a conviver no mesmo espaço.

A matéria da TV ainda que superficial, é importante como contraponto ao mundo de faz-de-conta mostrado na revista. Ao mostrar a realidade tal como ela é, os riscos corridos por professores de carne e osso, a TV acabou por ajudar a formar a idéia de matéria "sob encomenda" ou "a serviço de" que a revista Época demonstra.

A matéria da revista Época chama a atenção de imediato pela forma óbvia de artificialidade da própria capa, na qual uma professora sorridente e mão posta sobre a outra, em  pose de comercial de margarina, sorri esbanjando alegria e confiança em si mesma, confiança esta que somente se justifica no campo da propaganda enganosa, revelada na própria falsidade de seu sorriso, que faz a foto de capa se assemelhar a outras páginas de anunciantes comerciais espalhados pela revista.

A matéria em resumo, tenta mostrar que o aparente fracasso da Educação no Brasil se deve quase que exclusivamente à falta de qualidade dos profissionais. Para justificar tamanho descalabro, a revista escolheu "exemplos" de professores que baseados em três ou quatro dicas dignas de qualquer livro vagabundo de auto-ajuda, promovem em suas salas de aula verdadeiras "revoluções" na forma de ensinar.

A matéria não aborda nada de  pedagógicamente relevante, ignora solenemente as dificuldades inumeráveis que os professores sofrem em seu dia-a-dia e sustenta seu argumento única e exclusivamente no sucesso pessoal de três ou quatro indivíduos.

Vazia de conteúdo mas repleta de significado a matéria pretende convencer a seus leitores que os exemplos nela mostrados, põem por terra os anos de lutas árduas e inglórias que os bravos professores promoveram e ainda promovem contra todos desmandos e desrespeitos que sucessivos governos impuseram a todos os profissionais da Educação.

É particularmente significativa a existência de certas palavras chaves que pontuam a matéria, tais como COMPROMISSO, MERITOCRACIA, RESULTADOS, METAS, BONIFICAÇÕES e DEMISSÕES baseadas em DESEMPENHO. Essas palavras que nada explicam mas tudo dizem, são adequadas ao mundo corporativo onde a concorrência desenfreada e a busca incessante do lucro determinam o caminho que devem seguir as empresas.

Transportar o discurso empresarial para o ambiente da Escola equivale a retroceder ao tempo em que o ensino se baseava nos preceitos religiosos e divinos porém subsitituindo a figura onipotente de Deus pela irresistível lógica de mercado do Capital Financeiro.

Os grandes meios de comunicação são extremamente contundentes ao vilanizarem os trabalhadores organizados, taxando suas justas reivindicações como interesses corporativos. Os órgãos da grande imprensa são os primeiros a classificar os investimentos em Serviços Públicos como gastos excessivos dos governos ainda que estes invistam muito menos do que deveriam. Porém estes mesmo órgãos, entre eles a própria Organização dona da revista Época, omite que construíram seu império se aproveitando das benesses do Estado que, em muitos momentos, interessados em apoio da mídia não se utilizaram da lógica de mercado que tão ardorosamente a revista Época agora defende.

Encastelados em seus jornais, revistas e TVs, empresários travestidos de jornalistas, defendem descaradamente posições nitidamente equivocadas científicamente mas extremamente adequadas à sua estratégia empresarial e vomitam a todo tempo e lugar a balela de que os problemas coletivos se resolvem na vitória individual, jogando nas costas dos trabalhadores a responsabilidade pelo fracasso.

Anos e anos de governos descompromissados com o seu povo e de uma classe empresarial egoísta e oportunista são os verdadeiros responsáveis pelas imensas dificuldades que os profissionais da Educação encontram. O mesmo Estado que obriga um professor a trabalhar em uma área de confronto é aquele que não lhe fornece a segurança necessária para desempenhar sua profissão. E este mesmo Estado ainda lhe paga uma miséria para que ele forme futuros cidadãos e potenciais eleitores dessa corja que há séculos se entroniza no poder.

Lamentamos que jornalistas, trabalhadores como todos nós e os professores que "enfeitam" a matéria da revista, se prestem a esse papel. Talvez se a "mocinha" da capa da revista se desse conta de que está sendo nada mais que um boneco manipulável dos grandes interesses econômicos, se lembraria dos juramentos que fez, se lembraria de que seu compromisso é com a educação e a formação moral de crianças e adolescentes e provavelmente seu sorriso de "comercial de Colgate" se transformaria numa expressão séria que é a forma como devemos encarar o problema da Educação no Brasil.

sábado, 10 de abril de 2010

Olhando com esmero a História do Brasil, desde a sua independência, não se pode dizer que o Golpe Militar de 1964 tenha sido uma surpresa.


Afinal, vários ensaios de tomada do poder em nome de um “objetivo maior” já haviam ocorrido, inclusive com o Estado Novo perpetrado por aquele que para muitos brasileiros (desmemoriados ou desinformados) foi o maior presidente de nossa história – Getúlio Vargas.

Vargas foi o primeiro a tomar o poder em suas mãos sob o argumento de uma suposta “ameaça comunista” e seu exemplo foi seguido pelo militares  que, amparados no mesmo falso argumento, impuseram ao país, 21 anos de ditadura, cerceamento de liberdades, corrupção, crimes, assassinatos e causaram danos irreparáveis no desenvolvimento de uma sociedade madura e consciente de seus direitos e deveres. Uma
mancha vergonhosa em nossa história perpetrada pelo regime militar, ignomínia comparável aos 229 anos de escravidão de índios e negros que anteriormente havíamos vivido.

Hoje em dia vemos alguns historiadores reformistas e militares e civis (viúvas da ditadura) classificam o Golpe como a Revolução de 1964. De fato existe uma modorrenta e inócua briga pela correção do termo a ser usado ao falarmos do Regime Militar.


Contudo, não estamos aqui para discutir retórica ou nomenclatura. Muitas vezes os nomes que damos às coisas nada significam além de seu próprio nome. Para uma vítima não importa o nome dado ao que sofreu, o dano irreparável está feito. Tentar qualificar o período de Ditadura como regime Revolucionário, me parece eufemismo de quinta categoria e tentativa de varrer para baixo do tapete, anos de violação de direitos humanos praticados por governos de bandidos fardados que hoje se escudam na chamada Lei de Anistia para não pagarem por seus crimes.

Apesar disso, há época, o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja Católica, vários governadores de estados importantes  e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica.

Muitos destes padres, empresários, jornalistas e políticos, se "fingem de mortos" deixando toda a carga de culpa para os militares. Se esquecem que suas mãos estão sujas de sangue também.
Não bastassem terem causado um mal irreparável ao nosso povo e nosso país, alguns destes revisionistas e militares boçais de modo geral, tentam barrar iniciativas de investigação de seus crimes, alegando que os comunistas (na verdade trabalhadores, estudantes, homens e mulheres que lutavam contra a tirania) também cometeram crimes...

É bom lembrar, senhores militares e conservadores de modo geral:  Vocês é que estavam na posição de respeitar a Lei. Vocês é que eram pagos para sociedade para serem guardiães dos direitos. Ninguém lhes deu procuração para matar e torturar pessoas. Se os guerrrilheiros eram bandidos como vcs alegam terem sido, que os prendessem.
Ao usar de práticas criminosas para combater supostos crimes, vocês se rebaixaram a algo bem menor que os bandidos que combatiam. E agora tentam igualar aqueles que lutaram pela democracia a vocês? Tenham um pingo de dignidade!

E se Deus e a Justiça realmente existirem, espero de coração que a cada um de vocês queime pela eternidade no mais profundo e infecto canto do Inferno

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Direitos Humanos não São Direitos de Bandidos

Uma crítica muito comum aos movimentos pelos Direitos Humanos é aquela que associa tais direitos à defesa do crime ou dos criminosos. Esta associação busca forjar a idéia de que o movimento de direitos humanos apenas se preo­cupa com o direito dos presos e suspeitos, desprezando os direi­tos dos demais membros da comunidade.

O objetivo desse discurso, contrário aos direitos huma­nos,  é,buscar criar um conflito dentro das camadas menos privilegiadas da população, eximindo as elites de qualquer responsabilidade em relação à criminalidade. Ao vilanizar os que comentem um crime, como se fosse um ato estritamente voluntário, dissociado de fatores sociais, como desigualdade, fragilidade das agências de aplicação da lei, desemprego ou falta de estrutura urbana, jogam a população vítima da violência apenas contra o criminoso, ficando as elites isentas de responsabilidades, pela exclusão social ou pela omissão do Estado, que impulsiona a criminalidade. Nesse contexto, associar a luta pelos direitos humanos à defesa de bandidos foi uma forma de buscar manter os padrões de violência perpetrados pelo Estado contra os negros e os pobres, criminosos ou não.

E evidente que, ao se contrapor a toda a forma de exclusão e opressão, o movimento de direitos humanos não poderia deixar de incluir na sua agenda a defesa da dignidade daqueles que se encontram envolvidos com o sistema de justiça criminal. Isto não significa. porém, que o movimento de direitos humanos tenha se colocado, a qualquer momento, a favor do crime; aliás a luta contra a impunidade tem sido uma das principais bandei­ras dos militantes de direitos humanos. No entanto, esta luta deve estar pautada em critérios éticos e jurídicos, estabelecidos pelos instrumentos de direitos humanos e pela Constituição, pois toda vez que o Estado abandona os parâmetros da legalidade, ele passa a se confundir com o próprio criminoso, sob o pretexto de combatê-lo. E não há pior forma de crime do que aquele organizado pelo Estado.

A gramática dos direitos humanos está fundada no pressu­posto moral de que todas as pessoas merecem igual respeito umas das outras. Somente a partir do momento em que formos capazes de agir em relação ao outro da mesma forma que gos­taríamos de que agissem em relação a nós é que estaremos con­jugando essa gramática corretamente. Os argumentos de que direitos humanos são direitos de bandidos, de que atrapalham a atuação das polícias ou de que minam a soberania do Estado buscam destruir essa lógica. Aderir a qualquer desses argumen­tos significa assumir a proposição de que algumas pessoas tem mais valor, outras menos, e de que ao Estado e seus funcionários cabe fazer a escolha de quais deverão ser respeitadas e quais poderão ser submetidas à exclusão, à tortura, à violência e à discriminação.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Rotina Proletária X Rotina do Patrão



Mais uma segunda feira,, mais um dia de nossa vida dado ao patrão em troca de pão...

Muitos de nós a esta hora estão acomodados como gado em vagões de trem, metrôs e ônibus, olhares baixos, tristes...
Nossos patrões devem estar praticando "cooper", correndo em algum calçadão na beira de um bela praia...

Para alguns de nós, ao chegarmos em nossos locais de trabalho, um copo de café e um pão com manteiga nos esperam É a nossa ração que nos dá o mínimo para termos forças para continuarmos a ser explorados, dia após dia, produzindo a riqueza dos outros.
Riqueza que coloca os queijos, iogurtes e frutas na mesa daqueles que nos tiram o suor e a dignidade todo dia.

À noite, ao chegarmos em casa, extenuados, se tivermos sorte nossos filhos ainda estarão acordados para nos darem um beijo de boa noite.
Os filhos deles talvez se esqueçam de dar boa noite aos seus pais porque podem se confundir com o fuso horário europeu, já que estão em Paris, Londres ou Roma, fazendo "intercãmbio".

Tarde da noite, ligamos a TV e deve estar passando o Big Brother... e então nessa hora, todos somos iguais. Patrões e empregados unidos em frente à telinha torcendo para o imbecil marombado ou para a idiota gostosona.
No dia seguinte, em algum momento, estaremos conversando, patrões e empregados, e nossa conversa girará em torno de como foi o paredão, a prova do líder, o edredon, ou qualquer um desses "esportes bigbrotherianos" e então pensaremos: "Somos iguais a nosso patrões: vemos o Big Brother".

Só não podemos esquecer que em suas telas de LCD de 50 polegadas, as imagens da GLOBO devem parecer mais interessantes que em nossa Toshiba Copa de 1994.

domingo, 24 de janeiro de 2010

5 formas de usar um lápis


Hoje no caderno de empregos do jornal O Globo, saiu publicada uma matéria sobre perguntas inusitadas que costumam ser feitas atualmente pelos recrutadores das empresas nas entrevistas de emprego.

São perguntas que pouco ou nada tem a ver com a capacidade profissional do candidato. Segundo a matéria, são perguntas que demonstram a capacidade da pessoa de reagir sob pressão, como lidam com as emoções e outras associações fantasiosas que estes supostos profissionais de RH alegam ser "a mais moderna forma de se avaliar o perfil do candidato".

Para quem não pôde ler a matéria, cito algumas perguntas listadas:
- Qual a sua melhor lembrança da infância?" (há uma observação que não se deve chorar, mesmo que a lembrança seja as dos dias em que seu pai jogava futebol com você, e hoje seu pai está morto ou doente...)
- Quantas vezes os ponteiros de um relógio ficam sobrepostos durante o dia? (a observação desta vez é a de que você jamais deve dizer que não sabe a resposta, mas não deve chutar tambem...)

E por fim a melhor de todas: DIGA CINCO COISAS QUE SE PODE FAZER COM UM LÁPIS, MAS NÃO VALE DIZER ESCREVER...
Há algumas sugestões como usar como haste de bandeirinhas..., prender o cabelo... e outras.
Mas faltou a melhor sugestão e, este blog humildemente quer colaborar com a matéria e com você, trabalhador que se vir diante de uma pergunta dessa, diga que o entrevistador pode usar o lápis para ENFIAR NO FIOFÓ DELE!!!!!!

Você não vai conseguir o emprego mas garanto que você vai se sentir tão bem...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Colaborador é o #$&#@*, eu sou é operário!


No moderno mundo corporativo, nós os trabalhadores recebemos muitas nomenclaturas.

Colaboradores... associados... funcionários... empregados... e outros tantos que não vale a pena relembrar. Na prática são meros eufemismos para os nomes com os quais éramos (ou somos) tratados nos bastidores de nosso mundo empresarial: operários ou proletários.

A palavra proletário vem do latim "proles" que significa "filhos", "descendentes". Porém longe de nos tratar como filhos, os patrões usam este termo com a conotação pejorativa que a História lhe deu: se refere àquele ser humano que não tem nada a oferecer senão sua mão-de-obra e que serviria tão somente para gerar novos proletários, ou seja, a sua prole.

Por que hoje nos chamam por estas palavras que nada dizem, apenas mascaram a realidade que o trabalhador vive?

Há uma resposta clara: o termo operário, o termo proletário, assumiu um peso histórico, uma força por si só. Frequentemente associado aos movimentos de trabalhadores, ao comunismo, ao anarquismo, tais nomenclaturas causam nojo aos nosso patrões.

Para esses modernos escravagistas, lugar de trabalhador é debaixo de seu chicote. O antigo chicote de couro foi substituido pelo chicote moral. Aquele que é exercido através da humilhação, do assédio, da ofensa, da ameaça contra nossos empregos.

Eu pergunto: como você irmão trabalhador prefere ser chamado? De colaborador? Colaborar com o que? Com a empresa que te paga mal? Que te humilha? Que te ofende? Que coloca em risco a sua existência e a de sua família? É com esse tipo de gente que você se identifica?
Então se você quer mudar algo em sua relação de trabalho, comece a se assumir como um verdadeiro operário, um proletário, um trabalhador e não um associado, um colaborador. Quem se associa a bandido faz parte da quadrilha.

Patrão não é amigo, patrão é aquele que tira o pão da boca de seus filhos para dar danoninho para os filhos dele.