Olhando com esmero a História do Brasil, desde a sua independência, não se pode dizer que o Golpe Militar de 1964 tenha sido uma surpresa.
Afinal, vários ensaios de tomada do poder em nome de um “objetivo maior” já haviam ocorrido, inclusive com o Estado Novo perpetrado por aquele que para muitos brasileiros (desmemoriados ou desinformados) foi o maior presidente de nossa história – Getúlio Vargas.
Vargas foi o primeiro a tomar o poder em suas mãos sob o argumento de uma suposta “ameaça comunista” e seu exemplo foi seguido pelo militares que, amparados no mesmo falso argumento, impuseram ao país, 21 anos de ditadura, cerceamento de liberdades, corrupção, crimes, assassinatos e causaram danos irreparáveis no desenvolvimento de uma sociedade madura e consciente de seus direitos e deveres. Uma
mancha vergonhosa em nossa história perpetrada pelo regime militar, ignomínia comparável aos 229 anos de escravidão de índios e negros que anteriormente havíamos vivido.
Hoje em dia vemos alguns historiadores reformistas e militares e civis (viúvas da ditadura) classificam o Golpe como a Revolução de 1964. De fato existe uma modorrenta e inócua briga pela correção do termo a ser usado ao falarmos do Regime Militar.
Contudo, não estamos aqui para discutir retórica ou nomenclatura. Muitas vezes os nomes que damos às coisas nada significam além de seu próprio nome. Para uma vítima não importa o nome dado ao que sofreu, o dano irreparável está feito. Tentar qualificar o período de Ditadura como regime Revolucionário, me parece eufemismo de quinta categoria e tentativa de varrer para baixo do tapete, anos de violação de direitos humanos praticados por governos de bandidos fardados que hoje se escudam na chamada Lei de Anistia para não pagarem por seus crimes.
Apesar disso, há época, o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja Católica, vários governadores de estados importantes e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica.
Muitos destes padres, empresários, jornalistas e políticos, se "fingem de mortos" deixando toda a carga de culpa para os militares. Se esquecem que suas mãos estão sujas de sangue também.
Não bastassem terem causado um mal irreparável ao nosso povo e nosso país, alguns destes revisionistas e militares boçais de modo geral, tentam barrar iniciativas de investigação de seus crimes, alegando que os comunistas (na verdade trabalhadores, estudantes, homens e mulheres que lutavam contra a tirania) também cometeram crimes...
É bom lembrar, senhores militares e conservadores de modo geral: Vocês é que estavam na posição de respeitar a Lei. Vocês é que eram pagos para sociedade para serem guardiães dos direitos. Ninguém lhes deu procuração para matar e torturar pessoas. Se os guerrrilheiros eram bandidos como vcs alegam terem sido, que os prendessem.
Ao usar de práticas criminosas para combater supostos crimes, vocês se rebaixaram a algo bem menor que os bandidos que combatiam. E agora tentam igualar aqueles que lutaram pela democracia a vocês? Tenham um pingo de dignidade!
E se Deus e a Justiça realmente existirem, espero de coração que a cada um de vocês queime pela eternidade no mais profundo e infecto canto do Inferno

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