quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sistema de Cotas, sou a favor Sim!

Um dos temas mais polêmicos dos dias atuais, é o sistema de cotas para negros e estudantes do ensino público nas vagas das Universidades Públicas.

Há fortes argumentos a favor e contra a medida e há pessoas de grande caráter e capacidade que defendem uma ou outra posição. 

Apesar de reconhecer que há gente decente que é contrária à adoção do sistema de cotas, a grande maioria dos detratores desta Ação Afirmativa, na verdade são aquele tipo de pessoa que, por interesse, comodidade ou covardia, querem que tudo fique como está.

Estas pessoas se escondem atrás de argumentos aparentemente bem fundamentados mas que, na verdade, apenas escondem a motivação real destas pessoas, que é a de continuarem se beneficiando da miséria alheia.

O principal, e o mais sórdido, argumento baseia-se na idéia de que ao se instituir as cotas, candidatos com notas superiores podem perder suas vagas para candidatos com notas inferiores.

Sórdido é esse argumento por induzir à conclusão de que mérito se traduz em resultados e por partir da falsa premissa de que todos os candidatos entram na disputa em igualdade de condições.

O critério meramente intelectual não é absoluto, tampouco afere com precisão o mérito do esforço individual. Aquele candidato que tem melhores condições materiais e psicológicas efetuará menor esforço para atingir resultado idêntico ao do inferiorizado socialmente.

A supremacia intelectual freqüentemente não é uma conquista, mas uma resultante de condições sócio-ambientais na qual o indivíduo tem pouca ou nenhuma influência.

Então não passa de hipocrisia barata, alegar que candidatos eliminados com notas maiores que os cotistas, tem mais mérito que estes últimos. Muitas vezes, esses privilegiados (falo dos não-cotistas) estavam em suas casas estudando enquanto milhares de estudantes negros, nordestinos, pobres e miseráveis buscavam uma forma de ajudar suas famílias a não sucumbirem ante a fome e a miséria.

Essas vozes que se levantam contra o sistema de cotas, vem em sua maioria daqueles que, sem a necessidade de trabalharem para viver, estudavam tranquilamente, enquanto negros, mulatos, mestiços e honrosas exceções de brancos serviam seus cafezinhos, engraxavam seus sapatos ou cozinhavam seu almoço.
Nossa nação tem uma dívida histórica com o povo negro. Foram os negros que foram sequestrados, escravizados e mortos, não foram os brancos.

Um mentalidade hipócrita e conservadora comum em nossa sociedade é a de aceitar a inclusão dos marginalizados desde que isto não venha a afetar o status e privilégios que possuam. Privilégios esses construídos em cima do sangue e do suor de milhões e milhões de escravos e trabalhadores.

Há, entre os críticos do sistema de cotas, aqueles que reconhecem a desigualdade social mas são contra ações afirmativas. Alegam estes que devem ser tomadas medidas de longo prazo, investimento na educação básica e blá blá blá.

Esta, me parece, uma crítica ainda mais covarde. Os defensores da adoção de medidas de longuíssimo prazo são, na verdade, tão contrários à idéia quanto os críticos de fato. Ocorre que para estes pseudo defensores da causa dos excluídos, a idéia é válida, mas somente se não afetar a eles e seus filhos.

Ao jogar o resultado para daqui a 30, 40 anos, esse tipo de crítico covarde ajuda a manter a exclusão, jogando a responsabilidade para gerações que sequer nasceram ainda.

Provavelmente é muito doloroso para um destes falidos da classe média, ver seu filho levar pau, enquanto um negro ocupa a vaga que em sua visão distorcida e racista deveria ser de seu filhinho playboy.

A pior postura que um cidadão pode ter é a de não definir de que "lado do muro" está. Se vc é contra alguma coisa, não fique tentando parecer politicamente correto. Assuma suas posições e tenha a diginidade de defendê-las sempre e sem medo de ser criticado.

Por fim, lembro a vcs críticos que o sistema de cotas é uma solução paliativa para criar condições de que, no futuro, com a desigualdade diminuída, não seja mais necessário se valer de tais medidas.

E lembro principalmente que, depois de tanto explorarmos os menos favorecidos, é justo que algum tipo de reparação lhes seja dada. Nada que ninguém faça será capaz de compensar a chaga da escravidão em nossa História, mas adotar medidas inclusivas soa como um significativo pedido de perdão.

Um comentário:

  1. MUITO BOM!!! PENA QUE OS QUE TEM PODER DE REPARAR AS INJUSTIÇAS NÃO ESTEJAM NEM UM POUCO PREOCUPADOS EM FAZE-LO. MAS NÃO PODEMOS DESISTIR.

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