Pobre de nós brasileiros que mais uma vez somos instados a escolher o presidente do país baseados única e exclusivamente em critérios morais e subjetivos ao invés de podermos optar racionalmente por um projeto político em que pudéssemos criticar e analisar.
A ida para o segundo turno de dois candidatos sem conteúdo apresentável e comprometidos com o que se criou de pior na história política brasileira, acabou permitindo o surgimento de questões que chocam pelo absurdo dos temas e pela baixeza dos argumentos.
Entre dossiês, denúncias, vazamentos e outras sujeiras surgidas sobre algum candidato, um tema emergiu com força desproporcional ao real impacto que tem em nossa sociedade como um todo: o tema do aborto.
Sobrepondo-se a qualquer questão política, a posição do candidato em relação ao aborto assumiu importância tal que ambos, mesmo historicamente favoráveis à descriminalização do aborto, se curvaram à onda moralista que tomou conta do país e de joelhos (literalmente) juraram defender os valores morais da família e do Cristianismo.
Inicialmente gostaria de classificar de imbecil qualquer um que tenha dado importância ao tema em uma eleição de presidente, considerando que o assunto somente poderia de fato ser discutido no ãmbito do legislativo, já que se trata de matéria de lei e, o presidente não tem poderes para proibir ou permitir o aborto.
Contudo, a história política e social brasileira certamente explica como um povo tido como um dos mais liberais do mundo, carrega em si ao mesmo tempo, a chama do obscurantismo, do moralismo e da ignorância.
Não vou gastar meu tempo e o de meus leitores (existirá algum?) com os argumentos dos anti-aborto, até porque eles se resumem a um só: "A Vida é Sagrada".
Aliás, é muito importante esclarecer que não se trata de ser favorável ao aborto e sim à sua descriminalização, ou seja, não tratar a mulher que realiza um aborto como uma criminosa qualquer passível de prisão. Esta é a primeira distorção do debate promovida pelos moralistas de plantão.
Em geral, quem usa de argumentos religiosos para debater algum tema, peca justamente por não ter algumento algum além de sua crença inabalável da sacralidade daquilo que defende. Quando Deus é colocado no debate, não precisa de justificativa ou argumento.
Temas verdadeiramente importantes como saúde da mulher, liberdade de escolha e legalização de práticas que existem queiram os religiosos ou não, simplesmente não são discutidos porque o véu da fé tira o pouco de razão que estas pessoas tem.
Mas na verdade acho que o chamado "povo de Deus", nada mais são que massa de manobra, manipulados por padres e pastores corruptos, gananciosos e inescrupulosos que se prevelecem de sua ascendência sobre parcela significativa da população para os levar para onde seus interesses particulares mandam.
Prova da incoerência do discurso pode ser testada facilmente. Pergunte a um anti-abortista se apóia a pena de morte. Pesquisa do Ibope mostra que 87% dos que são contra o aborto são favoráveis à pena de morte para bandidos. Mas a vida não era sagrada? Realmente não entendo.
Aliás entendo sim. Quando um argumento é construído em cima de mentiras, premissas falsas ou interesses disfarçados, ele não se sustenta. Não se sustenta porque é baseado em um falsa moral, já que boa parte daqueles que posam de defensores da vida e dos valores cristãos, costumam na intimidade praticar atos que ao que me consta não estão previstos nos versículos da Bíblia.
Pessoalmente acho que há um valor maior que a própria vida - é a Liberdade. A vida sem liberdade não pode ser chamada de vida de verdade. E assim sendo, é a mulher que deve decidir sobre sua gravidez. Não se pode aceitar a interferência da igreja, do estado ou de você moralista que me lê agora (se você não for moralista, desconsidere) no corpo e na vida de uma mulher que você nem sabe quem é.
Em outras palavras, recolha-se á sua casa, vá para o Inferno, pro raio que te parta e não se meta na vida de quem não conhece. A não ser que você se disponha a criar a criança cujo nascimento você tanto defende.
A hipocrisia é a pior das mentiras e disso, a Igreja, os políticos e boa parte de nossa população entende muito bem.
Quanto ao tema principal, que é a eleição do futuro presidente... Se a mãe do Serra e a mãe da Dilma tivessem abortado, teríamos um problema a menos.

Sim, nada há de mais importante do que a liberdade. Infelizmente me parece que nossa sociedade (ocidental) não se pensa sem grilhões... sofre de ima incurável síndrome de stocolmo.¬¬
ResponderExcluirAssim seu texto se torna duplamente corajoso e duplamente bem vindo!
Forte abraço,
Ká )o(
Nossa sociedade sofre de uma incurável síndrome de stocolmo... e, talvez, já não saiba viver sem grilhões o que torna seu texo duplamente corajoso e duplamente bem vindo.
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