Não estaremos longe da verdade se afirmarmos que o brasileiro, de modo geral, não exerce a plenitude de sua cidadania e, via de regra, pouco se importa com os rumos da política do país.
O processo de formação de nossas instituições políticas explica em grande parte o porquê desse distanciamento. Nossas instuições políticas sempre foram construções arquitetadas nas esferas do poder e impostas de cima para baixo sem participação alguma das camadas populares.
Assim, o Estado Brasileiro se tornou propriedade de grupos privilegiados que há séculos vem se revezando no poder, encastelados em suas realidades particulares completamente afastadas daquilo que, de fato, nosso povo anseia e necessita.
As Instituições Pública e seus agentes gozam entre nós de uma espécie de caráter majestático e são reverenciadas como os senhores aos quais nós, os súditos, devemos obediência e subserviência. É a mais absoluta inversão da lógica de concepção de Estado, pois este deveria servir ao seu povo e não ser servido por ele.
Divorciado de seu povo, nosso Estado desenvolveu a característica de querer determinar os rumos de seu povo, ora adotando um perfil ditatorial, ora adotando o perfil paternalista. De uma forma ou de outra, nosso Estado sempre se comportou de forma autoritária e totalitárista.
Não é difícil entender as razões de, historicamente, os movimentos sociais terem os Governos como seus antagonistas. Longe de serem articuladores das necessidades de grupos específicos com o conjunto das população, sucessivos governos se especializaram em reprimir os movimentos sociais ou na melhor das hipóteses, cooptar os movimentos com o objetivo de tirar-lhes a força e a legitimidade.
De forma a fazer prevalecer a sua vontade, o Estado, em muitos momentos da história, se valeu de seu aparato policial para reprimir os movimentos sociais. Polícia e trabalhadores sempre foram postos em confronto como se representassem pólos distintos de nossa sociedade.
Da mesma forma que os senhores de engenho usavam empregados para oprimir escravos, governos usaram a polícia para oprimir os trabalhadores.
Por tudo o que dissemos antes é que podemos afirmar que o que vem acontecendo atualmente em relação aos movimentos de policias e bombeiros é algo espetacular e que pode representar uma ruptura com o modelo que há séculos vem se perpetuando.
Policias e bombeiros estão se enxergando como trabalhadores, como membros de uma imensa comunidade de oprimidos por um Estado essencialmente autoritário, ineficiente e corrupto.
Acostumado a ter a polícia como aliada em sua estratégia de dominação e contenção dos movimentos sociais, Governos assustados passam a utilizar todo seu estoque de práticas autoritárias revestidas de tintas institucionais.
Os discursos duros, a criminalização dos líderes dos movimentos, o uso do Judiciário, mostram o quanto nossos governos temem perder seu status de intocáveis. E, lamentavelmente nossa imprensa subserviente ao Governo e interessada nas gordas verbas publicitárias, encampam o discurso oficial, apoiando a repressão do Estado e tratando trabalhadores como bandidos.
Por isso, creio que todos nós, o povo brasileiro, devemos apoiar o movimento dos policiais e bombeiros. Eles são nossos irmãos de sofrimento e luta. Nosso inimigo não é o trabalhador que luta ao nosso lado. Nossos inimigos estão no poder há séculos, roubando nossa vida, matando nossos pais e filhos, enriquecendo ilicitamente e massacrando a população em nome de seus projetos pessoais.
TODOS SOMOS BOMBEIROS, TODOS SOMOS POLICIAIS.