O objetivo deste espaço não é discutir preferências clubísticas e sim conversar com os trabalhadores e temas que os afetem diretamente.Porém hoje recebi um e-mail de um amigo, no qual ele debochava de mim pelo fato do helicóptero do presidente dos EUA, Barack Obama, fazer uma escala na sede do Flamengo na Gávea. O deboche era pelo fato de que eu torço para o Fluminense que recebeu em seus domínios "apenas" a presidente Dilma Roussef.
Pensei em responder no mesmo tom de gozação mas enquanto preparava o e-mail lembrei-me das centenas de Fla X Flu que já fui em minha vida.
Lembrei que, apesar da rivalidade, havia uma bandeira da torcida do Flamengo que muito me emocionava. É uma bandeira como rosto de Che Guevara. Achava sensacional, no meio de tanta adrenalina, paixão pelo clube, gritos e vaias, alguém expressar-se além disso, trazendo para o maior templo do esporte, o maior líder revolucionário da América Latina.
E ao ler o e-mail de meu amigo, fiquei triste então... O que aconteceu com aquele torcedor que reverenciava um líder popular e agora comemora o fato de receber o líder da maior potência colonialista e exploradora do mundo.
Obama, a despeito de todo seu apelo popular é exatamente igual a todo e qualquer líder norte americano. Enxerga nosso país com olhares de cima para baixo. Promove a guerra nos mais variados cantos do mundo, onde tenha interesses comericiais especialmente. Manipula a ONU, o FMI, e todos os outros organismos que se curvam ante seu poder.
Ou seja, nenhum brasileiro tem razão alguma para reverenciar o presidente dos Estados Unidos. E muito menos a torcida do Flamengo, sabidamente a mais popular e ligada às camadas mais pobres da sociedade.
Entendo embora não concorde, com a necessidade quase doentia do torcedor de um clube tripudiar do outro. É quase que uma obrigação do torcedor, odiar e vilipendiar o torcedor do clube alheio.